Este projecto visa, a partir da observação directa e fruição de algumas actividades: espectáculos, exposições, conferências, filmes e das intervenções urbanísticas da Guimarães 2012 e restantes momentos de programação por mim eleitos, partilhar um olhar agudo e externo sobre a programação, convertendo essas vivências em quatro momentos performativos de apresentação pública.

Por outras palavras, este projecto pretende ressoar, de uma forma assumidamente subjectiva, aquilo que (me/nos) aconteceu do ponto de vista da oferta-programação da Guimarães 2012, ao mesmo que não abdicará de partilhar as ressonâncias e os impactos dessas experiências de recepção em quatro conferências-performances e num passeio psicogeográfico (como extra incluído num desses momentos).

À semelhança do que realizei nos Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas (novembro de 2010, Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal) em que me propus fazer um balanço no último dia – com um tratamento artístico e pessoal, mas transmissível –, dos acontecimentos ao longo dos três dias dos encontros, debruçando-me “sobre tudo aquilo que se disse, mas também sobre tudo aquilo que se disse e não se ouviu e, ainda, sobre tudo aquilo que não se disse mas que deveria ter sido dito e que era para ser ouvido”.

Deste modo, e numa escala temporal e dimensões programáticas diferentes, também aqui se promoverá um discurso que costuma escapar à fixação documental do que aconteceu. Contudo, e sem me querer enquadrar jurídica e economicamente, creio que nem tudo é partilhável, pois o direito de acesso à informação é tão válido como o (a)tributo da/à privatização dos conteúdos. A começar pela pergunta constatativa: que interesse tem o acesso a tudo o que se apontou a partir do que aconteceu? Já que não conseguimos digerir tudo. Já que nem tudo nos interessa, por mais interessados que sejamos.

De tudo isto, e em suma, posso acrescentar que a minha intervenção na Guimarães 2012 consistirá em assumir a figura de observador – chamemos-lhe assim – muito atento a tudo aquilo que acontecerá ao longo do ano (ressalve-se, reforçando, que a cobertura será parcial e previamente selecionada, não obedecendo a premissas científicas de cariz sociológico).

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